22 junho, 2005

7,5 = 10

O texto de hoje é, como posso dizer, uma resposta, um comentário, um consolo, sei lá, do post "Adeus..." que li no blog do meu irmão. http://pensaletras.blogspot.com/ (clique em cima para entrar)

É maninho, infelizmente acho que isso acontece em todo lugar.
Vou te contar uma: no terceiro ano de facu tínhamos aula de Antropologia com professor Solazzi, uma figura, inteligente e parecia que tava ligado no 220 volts. Ele estava longe do método “tradicional” e cômodo de ensino. Chegava na classe falava, falava, fazia demonstrações na lousa e os alunos, a grande maioria, se irritava. Por quê? Ah, ele falava muito, usava palavras desconhecidas, os textos eram difíceis e o povo, é claro, achava isso um absurdo. Mais absurdo ainda chegar em casa e pegar um dicionário e ver o que significa aquela palavra tão estranha que ele falou. O negócio era ir correndo pra casa ver a novela, ou o Big Brother ou ir dormir porque no outro dia “eu tenho que levantar cedo”. Nada de perder meu tempo para entender palavras difíceis, o professor que trate de falar coisas mais entendíveis.
Sabe o que eu ouvi um dia? Esse professor é um trouxa, EU não entendo nada do que ele fala. E o trouxa era o professor e não o tão limitado e mimado aluno. Professor legal era aquele que fazia piadas, que dava prova em grupo, que não ligava para as conversas paralelas às explicações.
Eu achava ele o máximo, não porque eu entendia tudo o que ele falava não, eu também boiava nas aulas dele, mas isso me motivava, me agregava muito, me mostrava o porquê de eu estar ali, era para aprender, expandir, sair do meu limite.
A prova então imagina, deixou a classe em pânico, ele pediu pra gente analisar o encarte do cd do grupo Mangue Beat "Da lama ao caos” e dissertar algo nos embasando na matéria que ele tinha dado. E podíamos fazer em casa e entregar no dia da prova, que seria na próxima semana.
Moleza não é? Ledo engano.
Revolta geral, o povo tentava conversar e convencê-lo que aquilo era muito difícil, que ele tinha que dar uma “dica” de como fazer. E ele se indignava e falava: vocês preferem que eu passe um questionário de 30 perguntas, dê as respostas e diga: 10 vão cair na prova???? Que tristeza, era isso o que a maioria queria. Mas pra minha alegria e admiração ele resistiu: Não. Me recuso a fazer isso. Se for pra ser assim eu prefiro ficar na minha casa.
Eu penei pra fazer a tal dissertação, teve um dia em casa que eu quase chorei , pois a grande maioria já tinha feito a sua e eu, nada. Fazia, rasgava, fazia, rasgava. Bom, fiz e entreguei.
No dia de entregar as notas ele tinha corrigido algumas provas falou as notas (a maioria abaixo da média e até alguns zeros) e disse: de quem eu não falei a nota pode aguardar que eu vou corrigir aqui na classe e já falo.
A minha prova era uma das. Um coisa é o professor ler as baboseiras que você escreveu em casa, talvez ele nem lembre do seu nome. Outra coisa é ele corrigir ali, na sua frente. O “fera” diante do aprendiz. A média era 7.0 eu tirei 7.5 e um comentário: foi uma das melhores da classe. Pra mim foi um 10. Como eu nunca tinha tirado na vida. Um 10 que não estava explícito na prova pra mostrar para os pais ou se gabar perante os colegas, estava sim, já para sempre na minha memória, como uma das melhores coisas que aprendi e fiz na faculdade. E era pra isso que eu estava lá.

Há tempo, tive muita sorte, com 1 ou 2 exceções, os professores com quem estudei no Imes eram todos maravilhosos e me ensinaram muito, do primeiro ao quarto ano.
Lá aprendi que:
- não se entende uma arte, se admira, vê-se a perfeição no imperfeito, no fora dos padrões. Valoriza-se o que a obra gera dentro de nós, a calmaria, o medo, a repugnância...
- que o que é “sólido se dissolve no ar”.
- que vender é bom, mas vender, respeitar e preservar é melhor ainda.
- que o cliente quer ser valorizado e entendido como um e não como massa.
- que trabalhar em grupo é difícil mas possível.
- e muitas, muitas outras coisas, que estavam nas provas e fora delas.

Portanto maninho não desanime, são professores como VOCÊS que fazem a diferença e que as instituições de ensino tanto precisam. Deixem-se achar, por favor.

Um comentário:

  1. olha o q eu ia dizer "sem comentários"hauhahuhauhau
    concordo em gênero numero e grau. e tenho boas recordações dessas aulas de antropologia e de outras tb. lembro que quase fui apedrejada ao declarar, no meio de uma rodinha de pessoas enfurecidas com os metodos pedagógicos do sollazi, se eles haviam esquecido que estavam num curso superior...hehe...bom pra quem agregou, ótima historia pra se usar como exemplo e incentivo. uhu!!! vamus expandir kct!! Ah, tenho meu texto ainda desta analise, ueba!!!

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