Cada dia mais me conscientizo de que abundância não é necessariamente sinal de felicidade.
Hoje de manhã no fretado, depois de dormir metade do caminho com a boca aberta, a outra metade vim filosofando (acordada!).
Imaginei uma situação, duas pessoas com fome em frente a uma tonelada de maças, é dito a elas: peguem quantas quiserem, mas somente poderão levar aquilo que conseguirem carregar.
A simplicidade vai fazer um pegar por exemplo, 12 maças, pois ele sabe que essas 12 ele conseguira carregar, não se sentirá tão cansado, matará sua fome e ainda irá poder dividir com outras pessoas.
Já a ganância vai fazer o outro, diante de tantas maças, não se conformar em pegar apenas 12 se ele "acha" que pode pegar o dobro, ou 30, ou 40. Desesperado tenta equilibrar cada vez mais maças nos braços, se machuca, se desespera, tem medo de deixar cair e no fim derruba todas. Não mata nem a sua fome. Quem dirá dos outros.
Me empolgo e vou além:
- quem tem muito geralmente esnoba,
- quem tem muito geralmente desperdiça,
- quem tem muito geralmente não dividi,
- quem tem muito sofre porque não quer perder nada,
- quem tem muito vive preocupado que lhe tire algo ou tudo,
- quem tem muito geralmente quer sempre mais,
- quem tem muito trabalha enlouquecidamente para sustentar "o muito"
- quem quer ter muito, sofre, pois o "muito" é difícil de se conseguir
Em contrapartida:
- quem tem o suficiente geralmente não esnoba,
- quem tem o suficiente geralmente não desperdiça,
- quem tem o suficiente geralmente sabe dividir
- quem tem o suficiente e perde, o sofrimento é menor, pois a perda não será grande e não será tão difícil assim conseguir o suficiente de novo,
- quem tem o suficiente não tem peso na consciência, tem paz.
- quem quer o suficiente sabe que o suficiente é acessível.
Sei que tudo isso não pode ser levado ao pé da letra, por isso usei tanto a palavra "geralmente". E também não é uma verdade incontestável. Longe disso.
Sei que muitos não têm nem o suficiente. Talvez até porque alguns outros tenham demais. Mas isso já é outro papo. Sei também que muitos se perderem o pouco que têm não será tão fácil assim recuperar. Entendam como uma metáfora. Não é um raciocínio preciso. Não quis ser política. Nem mesmo apelar pelo religioso, de ser bom ou mal, pecador ou não.
Apenas refletir sobre o quê realmente é necessário e realmente faz bem.
Então, todos os dias torço pela consciência de cada um. E torço para que todos tenham o suficiente, todos os dias.
Repito, não quero ser tendenciosa a nenhuma religião, mas fecho a semana com uma oração budista:
Dhammapada (atribuída a Buda):
Melhor que, em vez de mil palavras,
Houvesse apenas uma, mas que trouxesse Paz.
Melhor que, ao invés de mil versos,
Houvesse apenas um, mas que mostrasse o Belo.
Melhor que, ao invés de mil canções,
Houvesse apenas uma, mas que espalhasse Alegria.
Amém.
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Noossa...tava inspirada, hein? rs
ResponderExcluirSábado eu tive q fazer tudo sozinha.... rs E vc?
Saudades