23 agosto, 2005

Uma viagem de metrô ou metrô, uma viagem.

Hoje de manhã fui ao dentista. A parte mais legal que eu acho quando eu tenho uma consulta é poder pegar o metrô fora do horário de pico. É bem diferente, no horário de pico predominam os engravatados e as de salto alto finíssimos, todos esmagados dentro de um vagão. Fora desses horários são mães com seus filhos, idosos com envelope de algum laboratório médico nas mãos, jovens indo ou voltando da escola, e por aí vai.

E hoje não foi diferente.
Estação Consolação, metrô sentido Ana Rosa, dois caras estrangeiros sei lá de onde, branquinhos, branquinhos. Mochilões nas costas, repetindo daquele jeito engraçado os nomes das estações. E eu viajando: da onde será que eles são? Por que vieram para o Brasil? O que será que eles estão achando daqui?


Estação Paraíso, os gringos descem, procurando a saída. Procuro uma nova ocupação, vejo uma mulher com um terninho amarelo e bolsa verde. Nossa que nacionalista, penso. Duas meninas conversam em pé, uma com um bolsa, uma pasta de cadernos e uma sacola de supermercado. A outra, só uma bolsa nas costas e nem se toca em ajudar a amiga. Está mais preocupada em contar sobre a balada em barzinho de forró que só não foi boa porque tinha muita gente velha. Era comemoração do aniversário do tio dela.

Estação Ana Rosa, desço. Enquanto faço a baldeação observo algumas pessoas meio perdidas tentando entender onde estão e para onde vão. Realmente, para quem não conhece, o metrô é meio complicadinho. Tem sim muitas placas informativas, mas quando estamos assim em lugar que não conhecemos, meio perdidos, parece que não enxergamos as facilitações em nossa frente.
Lembro de uma vez que eu e minha irmã estávamos indo não sei prá onde de metrô e questionamos de qual lado deveríamos descer, e como estávamos meio perdidas (e como isso fosse motivo) dávamos muitas risadas. Então um homem do nosso lado disse: vocês descem deste lado. Agradecemos e continuamos nossas brincadeiras. Eis que o homem pergunta: vocês vieram da Bahia? Nos entreolhamos espantadas e...mais risadas.


Outro metrô, sentido Jabaquara, nesse tenho mais tempo, são mais estações até chegar meu destino. Está mais cheio. Começo minha vistoria, outra mulher com uma blusa amarela, será que é moda? Putz, não tenho nenhuma blusa amarela. Estou fora de moda. De novo. Sentada a minha frente uma moça bem magrinha. Lembro do debate que eu vi na TV sobre aneroxia e bulimia. Fiquei pasma ao saber que existem sites com dicas de como vomitar, como pegar nojo da comida etc. E têm também apelidos: anorexia é ana, bulimia é mia. Será que essa a minha frente também é? Esqueço o assunto ao notar sentada mais à frente uma mulher obesa, bem obesa aliás. Não sei dizer quanto pesava. Eu olhava para menina magrela e depois para a mulher obesa e fiquei refletindo. Tão paradoxal não?

Estação Praça da Arvore, a mulher obesa levanta para descer, atrai vários olhares, se fosse gostosinha atrairia o mesmo, mas com certeza esses olhares expressariam outra coisa, não um misto de repugnância e dó. Suspiro. É a vida.

Estação Conceição, meu destino. Desço e a mulher de blusa amarela quase me atropela. Talvez a cor ofusque sua vista. É, com certeza vou continuar fora da moda.

Suspiro mais uma vez, dessa vez pensando no motorzinho que me aguarda. Tomara que a consulta passe rápido, como ao metrô.

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