Durante a CPI do Trabalho Escravo, da qual a Soninha foi relatora, a C&A foi citada, ao lado da Riachuelo e da Marisa, por conta de etiquetas suas encontradas em oficinas clandestinas de costura. Todos os envolvidos no combate ao trabalho análogo à escravidão sempre souberam que, sem o compromisso de todos os elos da cadeia produtiva, essa forma de exploração não seria enfrentada para valer. De “acusada”, a C&A passa à posição de aliada nesse enfrentamento, na medida em que resolveu adotar medidas muito próximas às sugeridas no relatório, mostrando que nossas propostas não eram absurdas.
Combate ao Trabalho Escravo Ganha Adesão de Peso
por Hélio Wicher Neto
Além da criação da Socam foi incorporada aos contratos de fornecimento da empresa uma cláusula que prevê a visita aos fornecedores e terceirizados a qualquer momento, enquanto durar o contrato. Constatadas irregularidades, as sanções vão desde o acompanhamento junto ao fornecedor para regularizar sua produção, até o rompimento unilateral do contrato e a comunicação das autoridades competentes.
A meta da C&A, que à época da convocação pela CPI alegava ignorância dos fatos investigados, é que até novembro já tenha visitado/fiscalizado seus 78 principais fornecedores e cerca de 390 subcontratadas.
O surpreendente é que mesmo não conhecendo este sistema de auditoria, que já existe na Europa há muitos anos, o relatório produzido pela CPI já trazia em suas conclusões exatamente a mesma proposta, juntamente com a criação do “selo de procedência de origem”, que também tem previsão de implementação pela C&A, por meio da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), para o próximo ano.
Esta “coincidência” comprova que o principal objetivo da CPI foi alcançado: produzir um relatório fundamentado no bom senso e com propostas aplicáveis à realidade encontrada, evitando-se repostas simplistas e maniqueístas tão facilmente presentes em temas como trabalho escravo e/ou degradante na cidade de São Paulo em pleno séc XXI.
Fonte: Site da Soninha - www.soninha.com.br
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