A cerveja pra mim está intrinsecamente ligada a festa, comemoração, alegria, ou seja, bebo sim uma cervejinha mas só se for em companhia de amigos, em momentos de lazer. Pra mim não rola por exemplo tomar um copo de cerveja no horário de almoço no meio do expediente por mais 40 graus que esteja ou ainda chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho e abrir uma latinha pra relaxar, não, não, pra mim não tem graça.
Gosto de tomar cerveja quando eu tô de bobeira, de bem com a vida, com os amigos falando besteira ou num papo cabeça (que às vezes é a mesma coisa, he,he). Aí eu gosto de cerveja! No mais, se eu for beber acho ela amarga como realmente é.
Mas por esses dias venho pensando muito numa coisa: as drogas, principalmente as lícitas, que talvez até representem o maior mal pois quem às consomem se iludem que por estarem usando algo permitido por lei acham que não estão fazendo mal pra si mesmo e para aos que estão ao seu redor.
Acho por exemplo que a propaganda de cerveja (e de outras bebidas alcoólicas) deveria ser proibida como a do cigarro, que só depois de ser causa mortis de milhares de pessoas resolveram tomar essa atitude. Não sei dizer se isso ajudou a diminuir ou a desestimular a procura pelo cigarro. Tomara que sim. Mas pelo o menos não vemos mais aquelas propagandas com garotas e garotos lindos, descolados e de bem com a vida, fumando e fazendo a gente se sentir um idiota por não fazer o mesmo. Parece que nos diziam, “fumem e sua vida vai ser assim, você vai ser assim”. Tá eu nunca caí nessa, mas pode ter certeza que muitos por aí caíram.
Ah! Eu até cheguei até a experimentar o cigarro com 12, 13 anos mas não passou disso, experimentar (graças a Deus!).
Bom, voltemos a cerveja, que está no mesmo caminho, as propagandas somente mostram mulheres lindas e semi-nuas, pessoas alegres e bonitas bebendo em um bar descolado ou na praia e no maior clima legal etc, etc, etc. Sem contar a propaganda da nova marca Sol que diz que quando a gente deixa de realizar um desejo (seja ele qual for) uma bola cinza vai para o céu e começa obstruir a passagem da luz do sol, e quando fazemos tudo que desejamos o sol brilha. Sei.
Mas na real, real mesmo, poucas pessoas sabem e conseguem ficar nessa cervejinha aí do bem. Poucos conseguem beber um copo e falar: tchau tô indo pra casa. A realidade é bem avessa a isso na verdade. A maioria acham que sempre agüentam mais uma, a maioria dirigem depois de beber, a maioria esquecem que têm família em casa, a maioria esquecem de tudo o que realmente é importante.
No caminho que faço para a academia passo em frente a uns três, quatro botecos e é incrível, não importa o dia, o horário, TODOS têm no mínimo cinco homens bebendo. Bebendo, discutindo por causa do jogo de baralho, mexendo com as mulheres que passam na rua, ou sejam, não fazem nada que prestem.
Um dia vi um homem saindo do bar para atender o celular na calçada com certeza deveria ser sua esposa e ele disse:
- O quê que é? Eu tô aqui na casa da tia Sônia.
Nessa hora os homens dentro do bar gritaram: Truco! E com certeza a pessoa do outro lado da linha deve ter escutado. Bem feito.
Outro dia ouvi um falando pro outro:
- Você lembra o que a gente estava fazendo a um ano atrás?
- Sei! Tomando pinga!
E todos caíram na risada. Triste.
Sempre que vejo esses bares cheios penso em quantas mulheres estão em casa sozinha com seus filhos precisando da ajuda e do apoio de seu marido em várias coisas. Quantas estão preocupadas com tanta coisa de mal que podem acontecer com eles nesses lugares e eles lá só pensando na bebida. Quantos filhos queriam ter a ajuda ou companhia do pai para algo mas eles só aparecem tarde da noite e alterados pelo álcool.
Mas nas propagandas esse mundo é diferente, todos são bonitos, controlados e tomam uma cerveja só pra relaxar e curtir com os amigos.
Que fique bem claro que eu sei sim que existem pessoas que conseguem e podem fazer isso.
Mas infelizmente eu conheço muitos, mais muitos casos tristes de famílias destruídas ou maltratadas pelas conseqüências do uso excessivo de bebidas alcoólicas.
E fico extremamente chocada que as autoridades não proíbam essa divulgação. O número de mortes e doentes nos hospitais decorrentes de acidentes e brigas envolvendo pessoas alcoolizadas é absurdo mas parecem não alarmar os superiores que poderiam tomar essa decisão.
Sei que isso poderia acarretar outros problemas como demissões, mas esse problema seria bem menos difícil de resolver do que uma pessoa largar o vício da bebida que pode levar a tantos outros.
Sábado a tarde quando voltava do centro passei na padaria para comprar pão e vi uma senhora no balcão, aparentemente embriagada. Alguns garotos zoavam com ela, a atendente da padaria mandou ela ir embora e ela começou a discutir com a moça, falava que não iria embora. Quase fui conversar com ela. Quase, pois fiquei com receio dela ser agressiva comigo. Mas a cena era deprimente, uma senhora de quase 50 anos ali naquele balcão, no meio dos homens, bêbada, não falando coisa com coisa. Pensei na minha mãe. E agradeci a Deus por tudo o que eu tenho e pedi muita luz para aquela senhora.
Quem sabe um dia as autoridades acordem e façam algo. Sei que um tempo atrás o prefeito de Mauá institui um lei que proibia os bares a ficarem abertos após ás 23h00 se eu não me engano. Amigos que moram lá comentaram comigo que depois dessa lei o número de violência caiu consideravelmente, mas que nos bairros mais afastados a lei “não pegou” pois ninguém ia até lá para fiscalizar... Um passo. Pelo menos um passo foi dado. Tomara que não estacione.
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Adorei seu desabafo. Inteligente, sincero e importante.
ResponderExcluirTomara que seu desejo se torne uma bola branca,que vá subindo, subindo e se juntado a outros desejos semelhantes, e fique uma bola tão grande que estoure e caia em forma de luz sobre essa humanidade tão sofrida, carente e perdida em valores morais.
Te Amo.
Alda
também gosteido post, Alda.
ResponderExcluirsabe, eu gosto MUITO de cerveja, mas sou extremamente chata com relação a responsabilidade. é uma pena mesmo ver tudo isso e não poder fazer nada.
beijoca! :o)