06 julho, 2007

Na cidade

(Inspiração)

A rua era larga e apesar de muitas empresas ao redor era exclusiva de residências. Ela gostava de morar ali. Ainda se lembrava da alegria e satisfação que sentiu quando há seis meses atrás alugou aquela casa, 3 cômodos pequenos e ideais para quem mora sozinha, nos fundos um quintalzinho com varal e uma árvore pequena onde ela gostava de se sentar enquanto comia uma fruta ou folheava uma revista. Na frente a garagem e um jardinzinho que ela lutava para conseguir manter algumas plantas vivas, sempre se esquecia de água-las.

Durante a semana a rua acabava por virar estacionamento para o pessoal que trabalhava pela redondeza, o bom é que sempre respeitavam as entradas para as garagens e assim nunca deu problemas ou brigas. Os moradores não se importavam, talvez por saberem dos preços abusivos dos estacionamentos da região.

E foi justamente por isso que em um sábado de manhã, em uma das raras vezes que havia se lembrado de aguar as plantas seu vizinho veio conversar com ela:

- Bom dia!
- Oi! Bom dia “seu” Antônio tudo bem?
- Tudo e você menina? Ajudando as plantinhas a enfrentar o calorão que tá fazendo por esses dias?
- É, coitadas, estavam literalmente pedindo água! E a dona Rosa está bem?
- Está sim, já saiu, foi fazer as unhas! Disse dando uma risadinha como quem diz “coisas de mulher”. E logo continuou:
- Você reparou que ontem tinha um carro estacionado na frente do seu portão?
- É...reparei, achei estranho mas...
- Foi eu que autorizei o rapaz a estacionar aí!
- Ah foi?
- É, vi que ele já tinha ido até o final da rua duas vezes mas não achava vaga e dava para perceber que estava atrasado, aí eu fiquei com pena do sujeito e disse que podia estacionar aí que você não iria se importar até mesmo porque você nem usa a garagem!
- Fez bem seu Antônio! Não tem problema mesmo. E olha antes eu até pensava em comprar um carrinho mas agora morando perto do Metro eu já nem penso mais nisso!
- O rapaz ficou meio desconfiado, perguntou umas duas vezes se eu tinha certeza, mas depois acabou estacionando e saiu correndo coitado, estava atrasado mesmo! Quando já ia adiante virou para trás e com aquela cara de “já ia me esquecendo” gritou: Obrigada pela ajuda e agradeça ao morador da casa por mim! Eu gritei de volta: Moradora! E ele se foi afobado.
- O pessoal pode mesmo estacionar aqui sem problemas, o senhor já viu os preços dos estacionamentos por aqui? Entendo porque tem gente que arrisca a deixar os carros nas ruas! E aqui é seguro não é seu Antônio? Já teve roubo de carro aqui?
- Não! Aqui graças a Deus é tranqüilo!
- E o senhor e a dona Rosa vão passear hoje?
- Vamos sim! Por que você acha que ela foi fazer as unhas? Vamos ao baile!
- Que bom! Bom divertimento para vocês, mas agora seu Antônio deixa eu entrar porque ainda tenho que arrumar a casa e lavar roupa!
- Dupla jornada em menina?
- Pois é! Manda um beijo pra dona Rosa!

Seu Antônio e a dona Rosa formavam um casal simpático e bonito de se ver, ele aposentado, ela dona de casa desde sempre. Viviam bem e em harmonia há muitos anos e agora desfrutavam de uma velhice tranqüila e cheia de atividades prazerosas. Que delícia, pensou enquanto colocava a roupa na máquina de lavar. Nesse momento começou tocar no rádio uma música que ela adora: “Legal, ficar sorrindo à toa, sorrir pra qualquer pessoa, andar sem rumo na rua...”
E assim começou seu sábado.

(cont.)

Um comentário:

  1. É pura inspiração? Tá querendo escrever um livro ou é fato real?
    Se for o livro pode ir em frente, se foi real... que delícia!
    Beijos
    Alda

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