28 julho, 2009

Dureza

Como vocês devem ter visto na mídia nos últimos dias o secretário Municipal de Transportes, Alexandre de Moraes proibiu o acesso dos ônibus fretados nas mediações do centro de São Paulo.
Pois é, agora nós usuários desses ônibus somos obrigados a também utilizar o Metrô ou outro meio de transporte público.
A medida começou a valer ontem e a bagunça e o transtorno também.
Piorou tanto para os usuários dos fretados quanto para os já usuários do Metrô.
Ontem, por exemplo, quando chegamos de manhã à estação de Metrô Imigrante o secretário estava lá, dando entrevista para a Rede Globo e aproveitando, lógico, que apenas os primeiros fretados estavam chegando e a princípio tudo corria bem.
O pessoal do meu ônibus ainda conseguiu pegar um trem vazio e (pasmem!) ele ainda ficou esperando um tempo a mais na plataforma para esperar mais passageiros, ou melhor, encher e aproveitar todos os vagões.
Mas o pessoal que chegou às 07:30 por exemplo já tiveram que esperar passar dois trens para somente conseguir embarcar no terceiro.
Não duvido nada que eles até tenham liberado ontem mais trens para circularem para mostrar que “sim, o Metrô vai suportar esses 20 mil novos usuários sem problemas” e depois que a poeira baixar volte a operar com o número de trens normal.
Na hora de retornar para casa a situação foi pior para todos, independente do horário.
Uma verdadeira multidão se aglomerou na saída da estação Imigrante, os ônibus que chegavam eram obrigados a somente abrir as portas em um determinado ponto e também não podiam esperar os passageiros que faltavam.
Fiscais, reportagens e passageiros tudo numa muvuca única.
Soube que houve manifestações em outros pontos da cidade. Uma indignação só.
Primeiro essa proibição, sem uma justificativa plausível. Depois toda e qualquer proposta de negociação e regulamentação foram simplesmente ignoradas.
Fizemos abaixo-assinados, manifestações, enviamos e-mails para deputados e...nada.
A voz do secretário prevaleceu, sem choro nem vela.
Soube que ontem ele foi agredido verbalmente depois de dar a tal entrevista. Realmente é difícil segurar os ânimos em uma situação como esta.
Já em casa vi no telejornal o seguinte comentário como resposta para as manifestações:
“Algumas pessoas estão colocando interesses próprios à frente da causa”.
Acredito que se referiam aos coordenadores que tem como fonte de renda, as linhas de ônibus que organizam. Acho que qualquer um defenderia seu emprego, ainda mais numa situação absurda dessas.
E ainda bem que nós usuários temos eles, pois são eles que vão a reuniões, que correm atrás para reverter tudo isso.
Dizem que tudo isso se deve ao fato do prefeito Kassab em sua última campanha ter anunciado que, se ganhasse, não iria aumentar o valor da passagem do transporte público. E agora os donos das empresas de transportes estão pressionando para fazer um reajuste, pois com o valor atual não tem como manter toda estrutura.
Lógico que eles não iriam aumentar, pois a promessa era de nenhum aumento. Então eles tiveram que inventar algo que aumentasse o número de pessoas utilizando esses transportes e...se lembraram de nós, usuários de fretados. Por que não?
Dançamos.

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