12 setembro, 2007

Caderno de orações

Lá em casa nunca fomos obrigados a ir à missa aos domingos, minha mãe planejou para que eu e minhas irmãs fizéssemos nossa primeira comunhão em Pernambuco porque lá não precisava (na época) fazer o catecismo. Desse modo, vira e meche em uma das nossas viagens de férias pra casa dos meus avós era programada a primeira comunhão de alguém.

Fomos criados em meio aos costumes do catolicismo, mas nada era imposto a nós. Sempre vi minha mãe acendendo velas em agradecimento à cura da doença de um dos filhos ou pagando promessas por alguma benção recebida.

Quando eu tinha uns 5, 6 anos, chegaram novos vizinhos na rua e pra minha surpresa eram crentes. Os primeiros que eu conheci, pois até aí eu achava que só existia o catolicismo.E nessa época não eram evangélicos e sim crentes.

Eu e a Silvane logo nos tornamos amigas e às vezes eu fazia companhia a ela na sua igreja. Isso também não era problema lá em casa, lembro que meu pai falava: Vai virar crente? Eu respondia: Não pai, só vou a igreja com a Silvane. Ele ria e falava: Ta bom, vá e ore bastante por mim.

Hoje, minha irmã
Alda e minha mãe são espíritas, minha irmã Arleide e meu irmão Armando são católicos, meu pai...bem meu pai é um caso a parte, vai a missa, critica os espíritas mas lê todo o livro espírita que lhe chega as mãos, reza desde de sempre após cada refeição mas não espera tudo de Deus não.
Eu é que fique sem trabalhar que Deus vai por comida dentro de casa, ah vai! Ele diz.

E eu...perdida da silva nesse assunto.

Apesar de manter alguns costumes católicos peguei certa birra, fui crescendo e tendo conhecimento de algumas coisas, lendo alguns livros e pronto, me afastei de vez.

Hoje sinto falta de ter um caminho religioso, acredito no espiritismo, gosto de conversar com a
Neguinha sobre o assunto, leio alguns livros que ela me indica mas me falta algo pra toma-lo como a minha religião.

Há alguns anos venho lendo muito sobre o budismo, e gosto muito. Muito mesmo. Mas não encontro um lugar próximo para freqüentar, praticar...

Eis que ela me aparece com essa história de caderninho de orações e me contagiou. Ela me ensinou: pegue um caderno e o destine para isso, em cada folha escreva o nome de um dia da semana. Em cada dia escreva nome de pessoas que você gosta, ou que você sabe que está passando por um período difícil e até de desconhecidos que você vê na rua, ou escuta alguém comentando de uma pessoa que aconteceu tal coisa, enfim, não precisa de um número específico por dia e não tem regras. Aliás a regra é: siga o seu coração e reze por essas pessoas. Pode ser pelos presidiários, por pessoas que se suicidaram, que sofreram algum desastre...

Logo após o acidente da Tam em 17 de Julho eu comentei com a minha irmã: tenho certeza que tem muita gente rezando pelas almas das pessoas que morreram naquele dia e pelos familiares que ficaram com a dor e a saudade. Mas os dias passam e as pessoas vão se esquecendo e as orações vão cessando. Mas com certeza essas pessoas ainda estão precisando de orações, de boas vibrações. E com o caderninho a gente não se esquece! Uma vez por semana a gente ta lá rezando, pedindo por eles.

E quer saber? Faz um bem danado viu? Não sei quem sai mais beneficiado: quem reza ou quem recebe a prece. Porque assim a gente passa a prestar mais atenção nos outros e em nós mesmos. Lembramos de agradecer pelo o que temos. Lembramos de não ficar nos lamentando muitas vezes por tão pouco.

E desse modo, mesmo sem uma religião definida me sinto mais firme. Não que ter uma religião seja extremamente necessário e também não quero ter uma apenas para seguir os costumes e cumprir as regras. Quero levar uma no coração.

Enquanto esse dia não chega eu vou rezando. E vou continuar independente do que aconteça daqui pra frente.

Obrigada
maninha por ter me passado algo tão precioso.

Um comentário:

  1. é neste dia do acidente era o meu aniver... e não fui trabalhar pois estava afastada por motivo medico, e passei o dia quase todo dormindo, e tive um sonho tão esquecido e como morava muito proximo em moema, não sabia o porque, contudo quando chego no trabalho no outro dia fiquei sabendo, pois como nao sou fã de tv, e não tinha computador em casa nesta epoca, e fiquei intrigada com as lembranças do sonho... e já estudava o espiritismo nesta epoca, mas ainda com pouco firma de conhecimento e uma amiga proxima que ja era trabalhadora da causa me acalmou e me ajudou a clarear um pouco , dizendo por fim que nestes casos sempre é necessário muita ajuda de mediuns consciente ou incosnciente e eles, os espiritos empenhados em ajudar aqueles que estão naquele testemunho, a seguir em frente, ou em coisas que nós nao somos ainda capazes de saber ... portanto, seja grata sempre por pequenos gestos...

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